SEGUNDA VEZ : UMA DISTOPIA LISBOETA

UMA SÉRIE LITERÁRIA DE GASPAR TREVO COM ILUSTRAÇÕES DE RUI LACAS

um ebook gratuito em português

para seguir em temporadas de 13 episódios

datas de publicação

Outro 2017, uma Lisboa alternativa, onde o sol é um perigo. No ano em que cumprem 17 anos, seis jovens são seleccionados pela agência Bóreas para testar um protótipo avançado de mundo virtual. O que esconde esse projecto?

Segunda Vez é um ebook gratuito que reúne as características de um livro e as modalidades de uma série. Há novos capítulos todas as semanas para ler online ou descarregar em formato epub, mobi e pdf.

A partir de 24 de Março, acompanha a primeira temporada da Segunda Vez, subscreve a newsletter para receberes um alerta a cada novo episódio, e prolonga a experiência nas redes sociais.

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NENHUMA PREPARAÇÃO, NENHUM TREINO OS QUALIFICARA PARA AQUILO

ELDA

BARTOLOMEU

CAROLA

FERNÃO

BRÍSIDA

TIAGO

RESUMO DA TEMPORADA 1

Elda e Marcello, encontro em CoimbraÉ possível construir uma identidade real através de experiências falsas? Nas instalações da agência Bóreas, em Lisboa, o tutor Marcello Galvano recebe os seis impulsores escolhidos para testar um novo modelo do Rest, o mundo virtual. Recém-chegada à cidade, a tímida Elda tem dificuldades em encontrar o seu espaço no projecto e um lugar entre os colegas. Os dois lisboetas sempre podem contar um com o outro: mas o desportista Bartolomeu debate-se com os planos que a sociedade traçou para ele, e a rebelde Carola envolve-se numa luta pessoal e colectiva contra a Bóreas. Fernão, vindo do Sul, sente-se tentado a compensar um percurso de azares com expedientes ilegítimos no mundo virtual. E a portuense Brísida não vai parar até perceber tudo o que esconde o Rest.2, a não ser que a travem. Enfim, as motivações de Tiago, o impulsor substituto que não se dá com ninguém, permanecem um mistério.

EPISÓDIO 10: JÁ SAIU

10 DESASTRE

— Tenho de ir — repetiu Fernão, enquanto percorria com o dedo o contorno fino do pé pousado no seu estômago. — Não faças essa cara, são horas.

Encostado a uma trave da ponte, o rapaz deitava olhares fugidios ao manto informe, tingido de azul, que, em baixo, fazia as vezes de Tejo. Lisa reclinara-se na viga, de braços pendentes no vazio, deixava que o vento dançasse com o seu vestido. Sempre sem rede, sem outro apoio que o corpo dele. De repente, a rapariga retraiu a perna e arremessou-lha contra a cara, o golpe foi evitado por escassos centímetros. Fernão protestou, era tarde e ela sabia. Mas não resistiu: afundou o rosto no pé, trincou voraz o calcanhar, passou a língua por entre os dedinhos delicados.

Estava à mercê dela. De nada adiantaria ordenar que aquela projecção desaparecesse, ou pedir-lhe que se fosse instalar, quieta, a dois metros de distância. Ela não obedeceria. Alguma coisa estava muito errada ou muito certa com aquele velho módulo caseiro que lhe permitia ligar-se ao Rest.1, e onde as regras não se aplicavam. Não havia dúvida de que acedia a um mundo defectivo, bastava observar o tracejar de casas desfocadas que representava Lisboa para não lhe dar crédito; e, no entanto, aquela interacção com Lisa revelava-se infinitamente mais estimulante do que as experiências do Instituto. Podia, claro, convocá-la também no Rest.2, fazê-la passear a seu lado nas ruas de Pequim, mas lá nunca passava de um rascunho, sem personalidade. Já a entidade que à sua frente se distendia no tabuleiro enferrujado da ponte tinha vontade própria, era ela quem ditava as regras. Indomável, real. Essa descoberta mudara tudo. Agora regressava todas as noites ao módulo da dona Graça, ávido do jogo imprevisível. Continuar a ler

 

Fernão e Lisa no Cais do Sodré

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 próximo episódio: 02 de Junho

UM ADULTO NUNCA SE REFERIA ÀQUELES TEMPOS, OS JOVENS NÃO FAZIAM PERGUNTAS